Cirurgia peritoneal

HIPEC e carcinomatose peritoneal

Tratamento da carcinomatose peritoneal com cirurgia citorredutora, ressecção multivisceral e quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC).

Equipe cirúrgica durante cirurgia peritoneal com HIPEC

O que você precisa saber

01Seleção e avaliação da extensão da doença

Indicação

Casos selecionados de pseudomixoma peritoneal, carcinoma de apêndice, mesotelioma peritoneal e câncer de ovário. Menos comumente, câncer colorretal e gástrico.

Antes da cirurgia, é feita uma avaliação completa, com exames de imagem e, quando necessário, laparoscopia diagnóstica, para definir a extensão da doença e se ela pode ser retirada por completo.

A extensão é medida pelo Índice de Carcinomatose Peritoneal (PCI), que soma o tamanho das lesões em 13 regiões do abdome e da pelve, em uma pontuação de 0 a 39. O PCI, junto com o tipo de tumor, as condições clínicas do paciente e a resposta à quimioterapia sistêmica, orienta a indicação. Quando há doença à distância, a indicação é de tratamento sistêmico, e não de cirurgia.

02Cirurgia citorredutora e ressecção multivisceral

Via de acesso

Aberta (convencional) ou videolaparoscópica.

O objetivo é a citorredução completa: retirar todo o tumor visível, deixando o abdome sem doença macroscópica. O resultado é classificado pelo escore de completude da citorredução (CC): CC-0, sem tumor macroscópico residual; CC-1, resíduos menores que 2,5 mm; CC-2, entre 2,5 mm e 2,5 cm; CC-3, maiores que 2,5 cm. A citorredução é considerada completa em CC-0 e CC-1, e é um dos principais fatores que determinam o prognóstico.

Para isso, são realizadas as peritonectomias, que consistem na retirada do peritônio das regiões acometidas: quadrantes superiores direito e esquerdo, parede abdominal anterior, pelve e bolsa omental. Elas são associadas às ressecções viscerais necessárias, como a omentectomia maior, a esplenectomia, a colecistectomia, ressecções do estômago e do intestino delgado e grosso, a retossigmoidectomia e, nas mulheres, a histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral.

Esse é o conceito de ressecção multivisceral: vários órgãos podem ser retirados em um mesmo tempo cirúrgico. É uma operação de grande porte, que pode durar várias horas e exige equipe experiente e centro preparado.

03Quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC)

Concluída a citorredução, a quimioterapia aquecida é circulada dentro da cavidade abdominal por uma máquina de circulação extracorpórea, mantendo a temperatura em torno de 41 a 43 °C.

A hipertermia tem efeito seletivo sobre as células tumorais e potencializa a ação do quimioterápico, que atua diretamente nas superfícies do peritônio, sobre a doença microscópica que a cirurgia não consegue retirar.

O medicamento e o tempo de perfusão dependem do tipo de tumor, e os esquemas seguem os consensos do PSOGI para cada doença. A perfusão dura, em geral, de 30 a 90 minutos. No câncer de ovário, por exemplo, o consenso recomenda cisplatina por no mínimo 60 minutos, com temperatura intra-abdominal mínima de 41 °C e nefroproteção com tiossulfato de sódio.

Ainda no câncer de ovário, a HIPEC tem recomendação forte quando associada à citorredução de intervalo, isto é, realizada após a quimioterapia neoadjuvante.

04Particularidades e recuperação

É uma cirurgia com peculiaridades, pois geralmente envolve tumores avançados e pacientes que já foram operados outras vezes. O pós-operatório exige monitoramento cuidadoso, muitas vezes em unidade de terapia intensiva nos primeiros dias.

A recuperação varia de paciente para paciente, e o seguimento é feito com exames de imagem e marcadores tumorais, conforme o tipo de tumor.

O cuidado vai além da cirurgia. Cada paciente recebe um preparo perioperatório individualizado, com pré-habilitação com a equipe multidisciplinar da Supera Oncologia, e é acompanhado pela equipe de medicina perioperatória durante toda a internação hospitalar.

Agende sua consulta

Converse com o Dr. Cristiano Vendrame sobre o seu caso. O atendimento é no consultório da Supera Oncologia, em Chapecó (SC).